Após 10 anos, fãs prejudicados no Metal Open Air nunca foram ressarcidos


Festival anunciou várias apresentações com grandes estrelas do rock internacional, mas no final ocorreram poucos shows. Uma ação na justiça tenta reparar os danos aos consumidores, mas o processo segue travado. Metal Open Air
Raquel Soares/G1
Já se passaram 10 anos do Metal Open Air, em São Luís, e o público que pagou ingressos de até R$ 850 ainda não receberam nenhum ressarcimento sobre o que pagaram, mas não viram.
O festival aconteceria nos dias 20, 21 e 22 de abril de 2012 e prometeu ser um dos maiores das américas. Foi anunciado grandes nomes do rock nacional e internacional, como Anthrax, Ratos de Porão, Saxon, Venom e o Rock 'N' Roll Allstars, supergrupo do vocalista do Kiss, Gene Simmons, que traria o ator Charlie Sheen como mestre de cerimônias.
Dave Mustaine toca guitarra e canta em show do Megadeth no Metal Open Air
Alex Trinta/G1
Entretanto, com exceção do Megadeth, todas as principais atrações internacionais e nacionais cancelaram suas apresentações. Ao todo, seriam 47 bandas tocando em três palcos, mas somente 13 se apresentaram. O terceiro dia do festival foi, inclusive, cancelado e sequer houve shows.
Metal Open Air aconteceu graças à 'minha equipe', diz Dave Mustaine
Veja fotos dos shows no festival Metal Open Air, no Maranhão
Fora o fiasco com o cancelamento das apresentações, houve ainda muita reclamação sobre a falta de estrutura do evento às bandas que tocaram e também ao público: sujeira, falta de banheiros, falta de transporte, insegurança e até ausência de locais para comer foram relatados.
Estábulo camping metal open air
Raquel Soares/G1
Sem ressarcimento, apesar de decisão judicial
Em 2018, a Justiça condenou os organizadores do festival de rock ‘Metal Open Air’ a ressarcir e pagar indenização por danos morais aos consumidores prejudicados. O valor fixado para cada pessoa receber foi fixado em R$ 3.541,83.
Desmonte do camarote do MOA, na véspera do fim do festival
Alex Trinta/G1
A decisão foi resultado de ação civil pública movida pelo Ministério Público junto com o Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (IBEDEC). O processo tem como réus as produtoras do evento, que foram a Lamparina Produções Artísticas, Luiz Felipe Negri de Mello, Natanael Francisco Ferreira Júnior e Negri Produções Artísticas.
A sentença foi proferida pelo juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos da Comarca da Ilha. Ele também determinou aos organizadores o pagamento de R$ 200 mil por danos morais coletivos, acrescido de correção monetária e juros legais.
Festival Metal Open Air: camarins desmontados, palco desativado e debandada de atrações internacionais
Cauê Muraro/G1
Ao g1 Maranhão, Natanael Júnior disse que foi inocentado de um processo criminal sobre o caso, e que ainda aguarda o andamento do processo sobre ressarcimento do público.
"Em 2020, fui inocentado no processo criminal movido pelo MP. Ficou provado que tudo que foi noticiado não correspondia ao que aconteceu de fato, além disso ficou comprovado nos autos do processo que paguei todas as atrações e todos os custos do festival. Quando soube que o processo movido pelo Dr. Douglas foi julgado à revelia, nossa defesa o procurou para termos a oportunidade de defesa. Em seguida teve uma audiência entre as partes. Estamos aguardando as partes seguintes do processo e na ocasião apresentamos o seguro do evento para ressarcimento dos dias que não aconteceram os shows. O evento já fez 10 anos no dia 22 de abril. Maiores detalhes vão estar em um documentário que está em produção para ser exibido nacionalmente", diz Natanael.
Após a defesa recorrer da decisão de ressarcimento, o Ministério Público decidiu ainda pedir a suspeição do juiz do caso, Douglas Martins. Dessa forma, é preciso que o Tribunal de Justiça do Maranhão decida sobre a suspeição para que o processo possa seguir. Até o momento, não há uma data marcada para que ocorra essa decisão.
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