Com ritmo intenso de ensaios, Cacuriá de Dona Teté se prepara para a temporada junina


Após dois anos sem São João, um dos grupos mais tradicionais e populares da cultura maranhense se prepara para a retomada de apresentações. E para aguentar a maratona, os dançarinos realizam até cinco ensaios em uma semana. Com ritmo intenso de ensaios, Cacuriá de Dona Teté se prepara para o São João
Coreografias marcadas, ritmo contagiante e repertório inconfundível são algumas das características que ajudam a definir o Cacuriá de Dona Teté, um dos grupos tradicionais mais importantes da cultura popular maranhense. Às vésperas do início do São João, suspenso por dois anos devido a pandemia de Covid-19, o grupo se prepara para a maratona de apresentações nos próximos dois meses.
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E para aguentar o ritmo frenético do São João, os mais de 40 participantes do Cacuriá de Dona Teté enfrentam uma rotina de ensaios intensa, com até cinco dias de ensaios, com cerca de duas horas de duração, durante a semana. O objetivo é apresentar a melhor performance da dança que surgiu de uma das manifestações mais populares do Estado, a Festa do Divino Espírito Santo.
Ao g1, a dançarina e diretora artística do Cacuriá de Dona Teté, Luana Reis, explica que além dos ensaios que acontecem no Laborarte, em São Luís, os dançarinos também fazem uma preparação física à parte para aguentar a maratona. Ela conta que durante a pandemia, o grupo chegou a fazer ensaios, com 30% da capacidade e em grupos, respeitando as medidas sanitárias contra a Covid-19.
“Muitos dos nossos brincantes fazem uma preparação física fora do ensaio geral. Porque é um desgaste físico muito grande. Alguns chegam a fazer musculação, crossfit e yoga. Durante a pandemia a gente chegou a ensaiar, com grupos de até 30% da capacidade, respeitando os protocolos sanitários.
Dançarinos do Cacuriá de Dona Teté enfrentam maratona de ensaios todas as semanas em preparação para o São João
Rafaelle Fróes/Reprodução/g1 MA
Dançarina há mais de 15 anos do Cacuriá de Dona Teté, Cristiane Lima, está ansiosa com a retomada de apresentações do grupo. A maranhense explica que, um dos principais desafios, é atenção ao conjunto que compõe a magia do cacuriá.
“É um conjunto. A gente faz uma expressão corporal e facial durante os movimentos. Então, é todo um conjunto, a gente precisa ter muita atenção a tudo. Além de dançarina, eu também sou atleta e faço basquete, eu faço uma série de atividades que ajudam nesse preparo. A temporada é muito cansativa, a gente tem às vezes três apresentações em um dia e a gente pegar esse ritmo para conseguir aguentar essa maratona”, disse. ”, explica.
Ensaios e apresentações
Além dos ensaios no Laborarte, o grupo também realiza constantemente ensaios extras, para alinhamento coreográfico e teatral, uma das peças chaves e consideradas mais importantes da apresentação do cacuriá. Qualidade que levou o grupo a se tornar a principal referência da manifestação cultural no estado.
Por noite, o Cacuriá de Dona Teté chega a realizar até três apresentações, que contam com mais de 15 músicas no repertório. Dentre elas, as tradicionais ‘Jacaré Poiô’, ‘Mariquinha’, ‘Festa do Divino’ e ‘Choro de Lera’, algumas das músicas mais pedidas e conhecidas do público maranhense.
Cacuriá de Dona Teté
Douglas Júnior/O Estado
“Eu já trabalho com dança há mais de 12 anos, e eu sempre tive um preparo físico para aguentar o que eu faço. Mas quando eu soube dos dois meses, eu comecei a pegar mais pesado, a treinar mais, porque sei que será mais puxado e me preparar para esse momento”, relata Davi Chaves, dançarino do Cacuriá de Dona Teté.
O grupo já realizou algumas pequenas apresentações antes mesmo do início da temporada junina. Na agenda, o Cacuriá de Dona Teté já conta com dezenas de apresentações agendadas, em vários municípios maranhenses, e a promessa é de levar muita alegria, leveza e cultura através deste ritmo e dança contagiantes.
“As pequenas apresentações que a gente já fez, já foi um esplendor de emoção, de alegria, eu não sei nem como será o São João, será uma emoção muito grande, não só dos dançarinos mas também do público”, ressalta a dançarina Cristiane Lima.
Batismo do cacuriá
Mesmo com o início das apresentações, pela tradição, o Cacuriá de Dona Teté só dá o ‘pontapé inicial’ para a temporada junina a partir do batismo do grupo, que acontece tradicionalmente no dia 13 de junho, Dia de Santo Antônio. O santo é um dos mais populares do São João e é conhecido por ser o santo casamenteiro.
O batismo do grupo acontece na Igreja de Santo Antônio, no Centro de São Luís, onde os veteranos e os novos brincantes recebem a benção divina. Em seguida, o grupo segue de volta para o Laborarte, também na região central de São Luís, onde seguem com as festividades.
“É o dia de pedir todas as bênçãos, todas as energias positivas para o grupo e as apresentações, para que a gente se mantenha unido e tenha saúde para esse período”, ressalta Luana Reis, diretora artística do grupo.
Cacuriá de Dona Teté
Reprodução/Nelson Magela
Origem do cacuriá
Conhecido pela coreografia sensual e músicas de duplo sentido, o Cacuriá é uma dança que já se enraizou na cultura popular do Maranhão. A dança é inspirada no Carimbó das Caixeiras, tradição realizada ao final da festa do Divino Espírito Santo.
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Também conhecida como bambaê de caixa, a dança das caixeiras é realizada após a derrubada do mastro, que é uma espécie de vara enfeitada que ostenta a bandeira do Divino Espírito Santo. Ele também é uma das simbologias da festa e é erguido no começo e derrubado no fim dos festejos religiosos.
Após a derrubada do mastro as caixeiras e os festeiros aproveitam para se divertir tocando o carimbó de caixas, ou ainda o baile de caixas, de maneira sensual.
Cacuriá de Dona Teté
Flora Dolores/O Estado