Conheça a origem do Cacuriá, dança típica da cultura popular maranhense


A dança, que é repleta de simbolismo, transmite a manifestação da cultura, crenças e costumes do povo maranhense. Conheça a origem do Cacuriá, dança típica da cultura popular maranhense
Conhecido pela coreografia sensual e músicas de duplo sentido, o Cacuriá é uma dança que já se enraizou na cultura popular do Maranhão. Depois de dois anos sem São João, os maranhenses já estão ansiosos para desfrutar dos ritmos dessa dança típica, que é diretamente associada à figura de Dona Teté.
Mas se engana quem pensa que Almerice da Silva, a Dona Teté, foi a responsável pela origem do Cacuriá. De acordo com a jornalista maranhense Inara Rodrigues, escritora do livro “Vem cá curiar o cacuriá!”, a dança foi criada em 1973, na capital, por Alauriano Campos de Almeida, folclorista conhecido como “Seu Lauro”.
Dona Teté
Ministério da Cultura (atual Ministério do Turismo)/ Divulgação
Dançarina do Cacuriá de Seu Lauro, Dona Teté se destacou no meio artístico por sua irreverência, versatilidade e, principalmente, por seu rebolado. Mais tarde, em 1980, ela foi convidada pelo Laboratório de Expressões Artísticas (Laborarte) para participar de uma peça de teatro. Em 1986, com o incentivo de Nelson Brito, na época coordenador do Laborarte, Teté criou o seu tão famoso Cacuriá.
“Dona Teté sempre foi muito irreverente e em 1980 ela foi convidada a integrar o elenco de uma peça de teatro do Laborarte para tocar caixa e cantar. Em 1986, com o estímulo do já falecido Nelson Brito, que por muitos anos foi diretor do Laborarte, foi criado o Cacuriá de Dona Teté, que foi o segundo Cacuriá. O Seu Lauro parou o Cacuriá dele e Dona Teté, por ser aquela artista versátil e irreverente que ela sempre foi, ganhou todo aquele destaque e por isso muita gente atribui a criação do Cacuriá a ela”, ressaltou Inara.
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Douglas Júnior/O Estado
Ainda segundo a jornalista, o Cacuriá é inspirado no Carimbó das Caixeiras, tradição realizada ao final da festa do Divino Espírito Santo.
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“Ao final dos festejos do Divino Espírito Santo existe o que eles chamam de parte profana, que é o Carimbó de Caixeiras, reunião que as caixeiras fazem ao fim do festejo religioso para se divertir, dançar e cantar os versos de duplo sentido, que são os versos que originam as músicas do Cacuriá de Dona Teté e tantos outros cacuriás que a gente tem no Maranhão”, disse.
Cacuriá de Dona Teté
Reprodução/Nelson Magela
Para Rosa Reis, cantora e caixeira do Cacuriá de Dona Teté, apesar de não ter sido o primeiro grupo a surgir, o Cacuriá de Dona Teté serviu como inspiração para criação de vários outros grupos da dança.
Além de referência para a população local, músicas como “Choro de Lera”, “Jabuti” e “Jacaré” são conhecidas não somente no Maranhão, mas também em outros Estados.
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Flora Dolores/O Estado
Depois do falecimento de Teté, em 2011, Rosa afirma que é uma grande responsabilidade seguir o legado construído por Almerice e manter a essência da dança, que transmite a manifestação da cultura, crenças e costumes do povo maranhense.
"É muita responsabilidade porque a gente não pode perder toda essa essência e história que Teté construiu. Nós fazemos o trabalho com muita dedicação, carinho e cuidado, para a gente não perder a essência do espetáculo”, concluiu.
* Matéria realizada sob supervisão de Liliane Cutrim, g1 MA.