‘Despertar do interesse de uma sociedade que nunca olhou para os povos indígenas’, diz Sônia Guajajara sobre estar entre as pessoas mais influentes do mundo


Em entrevista ao g1 Maranhão, a ativista maranhense também falou sobre os desafios que ainda existem diante das ameaças aos indígenas pelo mundo. Sônia Guajajara
Divulgação
Após ser eleita pela revista Time como umas das 100 pessoas mais influentes do mundo, a ativista maranhense Sônia Guajajara concedeu entrevista ao g1 Maranhão e falou sobre esse reconhecimento.
Ela está na lista onde também estão os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Ucrânia; Volodymyr Zelensky. Há ainda o brasileiro Tulio de Oliveira, responsável por sequenciar a variante ômicron do coronavírus na África do Sul; e o CEO da startup brasileira Nubank, David Vélez.
Veja também
Quem é a ativista maranhense Sônia Guajajara
Perguntada sobre a valorização do reconhecimento dado pela revista Time, Sônia afirma que se sente feliz em nome da comunidade que ela representa, assim como a causa que ela defende.
"Uma valorização bem significativa para nossa luta dos povos indígenas e isso é resultado das várias ações coletivas que vínhamos organizando ao longo dos anos em defesa dos nossos direitos, dos territórios e resistência. Me sinto muito feliz, não pelo mérito, mas por ser porta voz dessa coletividade", disse Sônia.
Sonia Guajajara – reprodução
Reprodução/GloboNews
A ativista também comentou o atual cenário brasileiro na luta pelos direitos dos povos indígenas e a preservação do meio ambiente.
"Estamos num momento perigoso da nossa história. Precisamos estar juntos com demais segmentos da sociedade para o fortalecimento da democracia e soberania nacional. Isso só vai acontecer quando nossos direitos e modo de vida forem respeitados pelo estado brasileiro"
Para Sônia, a humanidade está vivendo um momento especial, quando parte da população enfim começa a entender a importância dos povos indígenas para o planeta. Ela finaliza descrevendo o que acredita ser o legado de seu trabalho.
"É o despertar do interesse de uma parcela da sociedade que nunca olhou para os povos indígenas, pela sua importância. Que agora começa perceber que os povos indígenas exercem para as pessoas e o planeta.
"Aumentaram muito o número de pessoas que tem buscado saber mais sobre os povos indígenas, a importância das demarcações de terras e como isso está relacionado às suas vidas. O ataque os povos indígenas é um ataque a toda a humanidade e à vida. A conscientização e sensibilização e o respeito com os povos indígenas tem sido nosso maior legado. Precisamos de governos e pessoas no poder com concorrência com nossa causa e diversidade que ainda são marginalizadas", conta a ativista.
Sonia Guajajara
Reprodução/Redes Sociais/Sonia Guajajara
História de ativismo e superação
Sônia é atual coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil pela Amazônia (Apib). O texto da revista Time, assinado por Guilherme Boulos, destaca que ela "desafiou as estatísticas e conseguiu se formar em uma universidade", sendo filha de analfabetos e tendo que sair de casa aos dez anos de idade para trabalhar.
Em abril do ano passado, Guajajara foi intimada pela Polícia Federal a prestar depoimento por conta de críticas que fez ao governo federal pela falta de apoio à população indígena em um documentário. Um mês depois, o inquérito foi arquivado.
Foram exatamente as dezenas de denúncias que fizeram Sônia ser conhecida internacionalmente. Na lista estão participações na Organização das Nações Unidas (ONU), no Parlamento Europeu e nas Conferências Mundiais do Clima (COP), de 2009 a 2021.
Em 2018, a líder indígena Sonia Guajajara também foi candidata a vice-presidente pelo PSOL.
Guilherme Boulos e Sônia Guajajara, em evento em São Paulo que os lançou como pré-candidatos do PSOL a presidente e vice-presidente da República, em 2018
Nelson Antoine/Estadão Conteúdo