Em seis meses, Maranhão registra mais de mil casos de violência, aponta estudo


Dados apontam que, em média, é registrado um caso de violência a cada três horas no Maranhão e no Piauí, onde a pesquisa também foi realizada. Um caso de violência é registrado a cada três horas no MA e PI
Um levantamento do Observatório da Segurança revelou, que nos últimos seis meses, 1.018 casos de violência foram registrados no Maranhão. Os números apontam que, em média, é registrado um caso de violência a cada três horas no estado e no Piauí, onde a pesquisa também foi realizada.
O relatório conta com 16 indicadores, com casos de violência contra crianças, de chacinas, linchamento e mortes durante ações policiais. Ao todo, os pesquisadores monitoram mais de 2 mil crimes violentos, sendo deste número, 11 casos registrados por dia e um cada três horas, nos dois estados.
"Pelo lado do Piauí, a gente percebeu também um crescimento do índice de execuções, o que tem haver com a expansão das facções que nasceram aqui no Maranhão para o estado vizinho, o que mexe com a dinâmica criminal local e portanto há um crescimento local da violência", disse Luiz Eduardo Lopes, coordenador do Observatório de Segurança.
Em seis meses, Maranhão registra mais de mil casos de violência, aponta estudo
Reprodução/TV Mirante
Os dados deveriam servir de parâmetro para a criação de políticas públicas, mas a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Maranhão (OAB-MA), afirma que os municípios ainda são omissos aos números da violência.
"Esses dados trazem justamente, a reflexão para que a gente possa reagir. O que a gente vai fazer com esses dados? A gente vai arquivar ou a gente vai conseguir demandar todas as instituições que podem realmente trazer um fim para esses alarmantes números que fazem parte da história do Maranhão", explica Erik Moraes, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB no Maranhão.
Casos
Maisa e Ellaine foram vítimas da violência este ano e são um retrato dos casos de feminicídio no Maranhão. Segundo o observatório, 67 casos deste tipo de violência foram notificados durante o período da pesquisa.
Paulinha também é uma das vítimas da pesquisa. A mulher trans foi assassinada a pedradas em janeiro deste ano. O estudo afirma, que pessoas negras como ela, são as principais vítimas entre a população LGBTQIA+.
"Todas as vítimas letais, ou seja, as pessoas que foram mortas eram negras. O que indica que muitas vezes, esse indivíduos eles são atingidos por mais de uma forma de opressão. Além de sofrer com a violência homofóbica, eles sofrem com a violência racista", explica Luiz Eduardo Lopes.
Paulinha, de 31 anos, foi brutalmente assassinada a facadas e pedradas em Timon (MA)
Divulgação/Redes sociais
14 pessoas foram indiciadas pelo Ministério Público pela morte de Joyce Ellen e Maria Eduarda, quase um ano após o crime. Elas foram obrigadas a cavar a própria cova antes de serem executadas em Timon, cidade localizada a 450 km de São Luís.
A Justiça decidiu manter a prisão cautelar dos suspeitos, que são do Maranhão e do Piauí. Segundo a Polícia Civil, o caso retrata a disputa entre organizações criminais e é parte da estatística.
Procurado, o Governo do Maranhão não se manifestou pela falta de políticas públicas para combater a violência no estado.