Homem negro é agredido e morto dentro de supermercado no Maranhão; inquérito que investiga o caso está parado há três anos


Caso aconteceu em 2019 em São Luís, mas imagens só foram divulgadas nesta quarta-feira (22). Segundo a família da vítima, ele tomava medicamentos controlados e teve um surto dentro do supermercado. Homem negro é agredido até a morte no Maranhão
Um homem negro, identificado como Darlon Oliveira dos Santos, de 27 anos, foi agredido até a morte por funcionários do supermercado Mateus, no bairro da Cohab, em São Luís.
O caso aconteceu em junho de 2019, mas as imagens só foram divulgadas e chegaram a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MA) nesta quarta-feira (22). O inquérito está parado há três anos e ninguém foi indicado pelo crime.
Nas imagens, às 23h58, Darlon aparece sem camisa na companhia de um segurança e outro homem. Ele leva vários tapas e socos do segurança, até que cai no chão.
Outros funcionários chegam para imobilizar o rapaz. O segurança retira algumas cordas do uniforme, aparentemente para amarrar o jovem, que resiste. Darlon é arrastado pelos funcionários e pelo segurança da loja.
Jovem negro é agredido e morto dentro de supermercado no Maranhão
Reprodução/TV Mirante
Em outras imagens, um dos funcionários aparece como se estivesse de joelho, sobre Darlon e os outros funcionários, seguem tentando amarrar o jovem. Vários funcionários do supermercado aparecem na cena, em cima da vítima, que já parecia estar imobilizada.
Em outra cena, o segurança guarda no uniforme o que parece ser uma arma. Toda a ação é filmada por funcionários do supermercado.
Em um determinado momento, as câmeras registram quando um rapaz dá sacolas de plástico para outro funcionário do supermercado. Darlon volta a se debater no chão, os funcionários se amontoam sobre ele e logo em seguida, ele aparece já sem movimentos.
Ao todo, foram dez minutos de agressões. Quatro minutos após ele perder os movimentos, algumas pessoas aparecem para checar se a vítima ainda havia pulso e depois, tiram fotos.
Inquérito que investiga o caso está parado há três anos
Reprodução/TV Mirante
De acordo com o inquérito do caso, investigado pela Polícia Civil do Maranhão (PC-MA), Darlon morreu no chão do supermercado e ficou no chão por dez minutos.
A Polícia Militar do Maranhão (PM-MA) foi acionada no dia do fato e chegou ao local 0h20. Um dos policiais relatou em depoimento que chegou ao supermercado e já encontrou a vítima sem vida e com os pés amarrados.
Meia hora depois, os socorristas do Serviço Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foram acionados e chegaram ao local, mas não podiam mais fazer nada, já que Darlon estava morto. Os funcionários negaram à polícia que houve agressão.
O que diz a família
No canto da tela, Darlon parece estar desacordado e alguns funcionários checam a situação.
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Segundo a família de Darlon, ele tomava medicamentos controlados, naquele dia teria esquecido de tomar os remédios e teve um surto dentro do supermercado. A vítima acreditou que estava sendo perseguida e ficou agitado, o que teria chamado a atenção dos seguranças.
De acordo com a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MA), Darlon era casado e tinha três filhos. A OAB quer saber o motivo no qual as investigações ainda não foram concluídas e a família da vítima deve ser ouvida nessa quinta-feira (23).
"A Comissão de Direitos Humanos da OAB Maranhão, no cumprimento das suas prerrogativas, oficiou nesta quarta-feira dois órgãos. Primeiramente a Secretaria de Segurança Pública, do Governo do Estado, no sentido de entender o motivo da demora de tantos anos na conclusão do inquérito policial que investiga o caso do Darlon. Assim como oficiou o Ministério Público do Maranhão para ter informações sobre a fiscalização, através da promotoria de controle externo e atividades policiais", disse Erik Moraes, da OAB.
Em nota, o Supermercado Mateus informou que o inquérito sobre o caso ainda não foi concluído e que, ao contrário do que está sendo noticiado, de acordo com documento emitido pela Secretaria Estadual de Segurança Pública, Darlon Oliveira do Santos não é classificado como negro. Já o laudo emitido pelo IML, concluiu que não houve tortura e não atestou asfixia decorrente de ação humana.