Maranhão é o estado com maior taxa de trabalho infantil doméstico do Nordeste


Dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) apontam que um milhão e 700 mil crianças e adolescentes estão nesta situação no Brasil. Maranhão é o estado com maior taxa de trabalho infantil do Nordeste
O Maranhão tem a maior taxa de trabalho infantil doméstico do Nordeste brasileiro, de acordo com dados do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil. Segundo o órgão, essa é uma das piores formas de exploração da criança e do adolescente porque rouba a infância e escraviza. Acontece principalmente com as meninas que são trazidas do interior para trabalhar em casa de família da capital.
De acordo com o procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho do Maranhão, Luciano Aragão Santos, o trabalho infantil doméstico ele atinge, principalmente, meninas pobres e de cor negra. “O trabalho infantil doméstico ele atinge, principalmente, meninas. Predominantemente em meninas. Mais de 90% dos casos no gênero feminino. Além disso, meninas pobres, meninas também em sua maioria da cor negra e o que demonstra que ele escolhe a pobreza. São meninas pobres que buscam a pretexto as pessoas que aliciam crianças para o trabalho infantil doméstico utilizam o pretexto de dar uma oportunidade de estudo, normalmente na capital ou em uma cidade maior, trazendo essas crianças do interior do Estado, de comunidades muito pobres, as vezes isoladas e a pretexto desta oportunidade submetem elas a essas condições inadequadas de trabalho”.
O Ministério Público do Trabalho e entidades ligadas aos direitos da criança e do adolescente do Maranhão lançaram este mês a campanha “Todos Juntos Contra o Trabalho Infantil Doméstico”, que busca conscientizar pessoas da importância de denunciar. A meta é erradicar esse tipo de exploração no Estado até 2025.
Em São Luís crianças vítimas do trabalho infantil doméstico que são resgatadas recebem assistência e acompanhamento psicológico e social junto com outros menores que também tiveram mão de obra explorada de outras formas.
Maranhão é o estado com maior taxa de trabalho infantil doméstico do Nordeste
Reprodução/TV Mirante
A superintendente de Proteção Social Especial de Média Complexidade, Nubervane Moreira, diz que uma rede de apoio acompanha as crianças e adolescentes vítimas do trabalho infantil doméstico. “A partir do momento que essa denúncia ela é feita para qualquer órgão do sistema de garantia de direito e defesa de criança e de adolescente, como Conselho Tutelar, o Conselho Tutelar encaminha para as nossas unidades Creas e aí nós fazemos o atendimento, acompanhamento e devidas articulações”.
Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) apontam que um milhão e 700 mil crianças e adolescentes estão nesta situação no Brasil. A diretora da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas, Maria Isabel Costa, sentiu na pele os efeitos de ser explorada quando criança.
Ela veio do interior e trabalhou dos oito aos 13 anos na casa de uma família em São Luís. Além de fazer faxina. Ajudava a cuidar dos cinco filhos do casal. Hoje é militante na luta contra este tipo de exploração. “Eu não tive o prazer de brincar, como eu acho que é o direito da infância, da criança brincar, estudar, ter o lazer necessário de uma criança. Eu costumo dizer que eu não guardo mágoa, eu não sei se eu tenho algum ressentimento por dentro. Não me parece que eu tenho porque eu gosto muito de sorrir. Não sei se é para esconder alguma coisa, mas as vezes dar vontade de chorar”.