Maranhão tem mais de 8 mil mulheres cientistas; g1 destaca a trajetória de três delas


Para encerrar o mês em que se faz alusão ao empoderamento feminino, o g1 destaca a trajetória de três pesquisadoras maranhenses, que são engajadas na pesquisa científica e já foram premiadas por seus estudos. Humilhadas, torturadas e mortas, essa foi a realidade de muitas mulheres que ousaram contribuir com o conhecimento científico nos primeiros séculos. Enquanto elas eram chamadas de bruxas, os homens, que exerciam as mesmas atividades, eram chamados de alquimistas, é o que aponta uma pesquisa de Fernanda Letícia de Sousa Joaquim, publicada em 2018, pela Universidade Federal de São João del-Rei, em Minas Gerais.
Os estudos apontam que, enquanto elas eram torturadas, queimadas ou enforcadas, os alquimistas eram considerados inteligentes e essenciais para o desenvolvimento científico.
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Mas os tempos mudaram, e ousadas mulheres lutaram para que hoje, elas possam ocupar espaço no campo da ciência e serem valorizadas por isso.
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E, para encerrar o mês em que se faz alusão ao empoderamento feminino, o g1 destaca a trajetória de três pesquisadoras maranhenses, que são engajadas na pesquisa científica e já foram premiadas por seus estudos. A gente destaca a importância da pesquisa delas para a sociedade e aborda os desafios enfrentados, enquanto mulheres, na área da ciência.
Maranhão tem mais de 8 mil mulheres cientistas; g1 destaca a trajetória de três delas.
Divulgação/Fapema
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Pesquisadora estuda tratamento alternativo para a leishmaniose
Renata Mondego de Oliveira estuda tratamento alternativo para a leishmaniose.
Divulgação/Arquivo pessoal
Renata Mondego de Oliveira, que é graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), já passou pelo Mestrado em Ciência Animal pela UEMA e chegou ao doutorado em Biotecnologia pela Rede Nordeste de Biotecnologia (RENORBIO), com ponto focal Maranhão. Em 2021, ela foi um dos destaques do Prêmio Fapema (Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão), sendo uma das pesquisadoras premiadas na categoria Tese de Doutorado, com o trabalho intitulado ‘Efeito Leishmanicida do Óleo Essencial de Vernonia Brasiliana (L.) Druce (Asteraceae) em Leishmania Infantum’.
O título do trabalho, para nós leigos, até assusta, mas para Renata, o assunto já faz parte do seu cotidiano enquanto pesquisadora e aborda uma doença bem conhecida no Maranhão, o calazar.
“Trabalhei por muito tempo com o uso de plantas medicinais no tratamento de doenças infecciosas em animais, principalmente a leishmaniose visceral canina (calazar). Assim que entrei no curso de Veterinária, pude observar que a quantidade de animais doentes e positivos para calazar era alarmante, como ainda é até hoje. Na UEMA, onde me formei, há um grupo de pesquisa bem consolidado, liderado pela professora Ana Lucia Abreu Silva, que realiza pesquisas com plantas medicinais e leishmaniose, e eu acabei me inserindo neste grupo, onde comecei os primeiros trabalhos com essa temática e permaneço como colaboradora até então”, explica Mondego.
A pesquisadora conta que ao entrar na universidade já se interessou pelo campo da pesquisa científica, após acompanhar os trabalhos de alguns professores. E, ainda no segundo ano de graduação, ela ingressou no programa de iniciação científica da UEMA, onde teve o primeiro contato com o tema que se tornaria o seu principal objeto de estudo.
Após três anos atuando como bolsista de iniciação científica, ela se formou e iniciou logo o mestrado. Depois de defender a dissertação, Renata não perdeu tempo e fez o seletivo para o programa de doutorado, no qual passou e pôde trabalhar em sua pesquisa sobre o calazar.
Renata Mondego destaca que a pesquisa desenvolvida por ela é importante para a sociedade maranhense, já que, desde a década de 1980, a leishmaniose é uma doença endêmica em São Luís, sendo hoje considerada uma doença hiperendêmica (doença com número de casos estável ano após ano, mas em níveis elevados).
"De uma forma bem simplificada, o calazar é uma doença que afeta principalmente cães e que pode ser transmitida ao homem, através da picada de um inseto flebotomíneos. Até o ano de 2016, o tratamento dos cães era proibido no Brasil, e a única saída era a eutanásia dos animais positivos. Mas, em 2016, foi liberado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento o primeiro medicamento para uso veterinário, o Milteforan, então a possibilidade de tratar animais doentes, de forma legal, passou a existir”, relata.
Mas, a pesquisadora identificou que a medicação, por ter um custo bem elevado, é inacessível para boa parte da população, além de apresentar efeitos adversos. Por causa disso, a busca por alternativas terapêuticas é extremamente necessária e foi o que impulsionou a realização da sua pesquisa.
“Nós utilizamos uma planta chamada assa-peixe, encontrada em São Luís e no interior do Estado, e testamos o efeito do seu óleo essencial contra o parasito causador da doença, em laboratório. Nós observamos que o óleo essencial possui atividade biológica contra o agente causador da leishmaniose visceral canina, o que demonstra que a planta possui moléculas ativas que podem ser exploradas como fonte para novas drogas”, explica a pesquisadora.
Com um estudo tão importante, Renata Mondego conseguiu se destacar entre os pesquisadores maranhenses, mostrando ser capaz de obter e compartilhar o conhecimeno científico, mas essa trajetória não foi fácil, pois a mulher ainda enfrenta muitos desafios no campo da ciência.
“Acredito que o maior desafio seja o de separar a figura da mulher, enquanto indivíduo, da sua figura profissional. Infelizmente, ainda há pessoas que acreditam que o fato de ser mulher é algo negativo ou impeditivo para se realizar ciência. O fato de termos mulheres que são mães, que cuidam de suas casas, que são chefes de família, muitas vezes, é colocado em xeque. Não aconteceu diretamente comigo, mas convivi com muitas colegas de pós-graduação que, ao afirmarem ter filhos, eram questionadas se tal fato atrapalharia seu rendimento e desempenho na realização de pesquisas. Esse tipo de pergunta dificilmente seria feita a um homem. Fora questões de assédio moral, sexual, que infelizmente são uma realidade em muitas universidades e centros de pesquisa”, lamenta Renata.
Mas, apesar das dificuldades e preconceitos, Renata Mondego, assim como muitas mulheres cientistas, não pensa em desistir, pelo contrário, ela quer continuar sua pesquisa e contribuir com o controle da leishmaniose no Maranhão.
“Hoje, a perspectiva é dar continuidade às ideias que surgiram após a defesa da tese, testando outros modelos de estudo, outras plantas e princípios ativos, sempre na busca por novas opções de tratamento, tanto para a leishmaniose como para outras doenças de importância na medicina veterinária”, conclui.
Pesquisadora analisa a flora na Baixada Maranhense para cura física e espiritual
Thauana Oliveira Rabelo analisa a flora na Baixada Maranhense para cura física e espiritual
Divulgação/Arquivo pessoal
Graduanda em Ciências Biológicas, pela Universidade Federal do Maranhão, Thauana Oliveira Rabelo é bolsista na Fapema e estagiária do Laboratório de Estudos Botânicos (LEB), onde desenvolve pesquisa com etnobotânica, taxonomia, florística, educação ambiental e ecologia. A jovem pesquisadora também foi destaque no Prêmio Fapema em 2021, ficando em 2º lugar na categoria PopVídeo Ciências, com o trabalho intitulado: ‘Plantas que Curam: Importância Cultural do Conhecimento dos Benzedores de Anajatuba (MA)’.
Thauana Oliveira Rabelo analisa a flora na Baixada Maranhense para cura física e espiritual
Divulgação/Arquivo pessoal
Thauana destaca que a etnobotânica é um tema que chama muito a sua atenção dentro da área da botânica, pois tenta entender os usos da flora pelas comunidades humanas. E, partindo do pressuposto que o Maranhão é um estado rico em aspectos culturais e biológicos, e considerando a falta de trabalhos que abordassem sobre essa questão, surgiu a ideia de trabalhar com uso da flora na Baixada Maranhense para cura física e espiritual.
“Nossa ideia era entender sobre o conceito de saúde dessas comunidades que engloba a saúde física, psicológica e espiritual e saber como as comunidades utilizavam as plantas nesse processo de cura. Para isso nós decidimos nos voltar para os especialistas locais, dentro deste mundo de cura e tradição, que são os benzedores. E tem sido fascinante descobrir informações e curiosidades sobre meu próprio lugar de origem”, explica Rabelo.
Para a jovem cientista, o estudo contribui com a disseminação de conhecimentos sobre as espécies botânicas, que possuem valores culturais para as comunidades tradicionais no Estado do Maranhão.
“Ainda são poucas as pesquisas no Maranhão que se voltam a compreender essas relações entre diversidade vegetal e social, e incentivam a manutenção destes direcionamentos ritualísticos voltados para a saúde e bem-estar humano e que, também, contribuem para a conservação destas espécies associadas às informações etnobotânicas, ampliando assim o conhecimento sobre a flora do Maranhão. E é importante destacar que todas as ações (desenvolvidas na pesquisa) foram aprovadas e sugeridas pela Associação Quilombola de Anajatuba e tem reflexos diretos e indiretos, auxiliando na certificação dos territórios quilombolas”, aponta.
E, apesar de ser nova no campo da pesquisa científica, Thauana Oliveira já sente que há uma tentativa de desmerecer as mulheres enquanto cientistas.
“As mulheres encontram desafios diários em todos os ambientes da sociedade, na ciência não é diferente. Desde a nossa formação somos sugestionadas a escolher áreas que seriam mais 'adequadas' para mulheres e não demandariam tanto esforço físico, metal ou representariam menos 'riscos' à nossa integridade física. Além do assédio físico e psicológico que essas mulheres enfrentam na formação e em toda a carreira científica, os números de publicações, financiamentos e citações ainda é muito baixo se comparamos a porcentagem de homens que atuam nas mesmas áreas”, lamenta Thauana.
Ela ainda ressalta que, a maior dificuldade tem sido as oportunidades escassas de ocupar os espaços e desempenhar com qualidade e respeito as atividades.
“Por vezes, lidar com a pesquisa, com filhos e cuidados de casa em uma jornada tripla tem levado a desistência de muitas pesquisadoras. Devido a isto é de suma importância pensar em estratégias e criar redes de apoio a fixação feminina nestes espaços”, reflete.
Mas, ela destaca que em seu grupo de pesquisa há uma ampla maioria de mulheres que desenvolvem pesquisas, atividades laboratoriais e de campo com excelência, um incentivo importante que a faz querer continuar seus estudos.
“Atualmente tenho tentado manter a atuação na área e continuar as pesquisas etnobotânicas na Baixada Maranhense, já que é uma área em potencial e ainda pouco explorada. Devido ao surgimento recente da Etnobiologia, essa ciência ainda é pouco aplicada e conhecida, acredito que trabalhos como o que foi desenvolvido podem auxiliar na visibilidade deste ramo, que pode ser uma forte ferramenta para conhecer e conservar a diversidade bicultural no Estado”, afirma.
Pesquisadora analisa reserva extrativista na marinha de Cururupu
Quem também se destaca no campo da pesquisa científica é a doutora Rosalva de Jesus dos Reis, geógrafa, licenciada e bacharel pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e professora de geografia da UEMA.
Rosalva de Jesus dos Reis analisa reserva extrativista na marinha de Cururupu.
Divulgação/Arquivo pessoal
A pesquisadora foi uma das vencedoras do Prêmio Fapema, na categoria Tese de Doutorado, com o trabalho intitulado ‘Reserva Extrativista Marinha de Cururupu: Limites e Possibilidades à Sustentabilidade Ambiental’.
Rosalva de Jesus dos Reis analisa reserva extrativista na marinha de Cururupu
Divulgação/Arquivo pessoal
Em entrevista ao , a pesquisadora destacou que o foco da sua pesquisa foi a cidade de Cururupu, porque no município há uma unidade de conservação, que é uma reserva extrativista, a qual é ocupada por uma comunidade tradicional, que são os pescadores artesanais, além de ser a sua terra natal.
“O local onde a reserva se encontra tem uma importância ambiental, considerando as várias dimensões, a dimensão ecológica, social e cultural. Então é uma área de importância, tanto para o Estado, para o país, como para o mundo, esse bioma onde a reserva está situada. Um outro aspecto que pautou a minha escolha é porque eu sou o cururupuense. Eu nasci no município e, quando eu era universitária, tive a oportunidade de fazer uma viagem de campo, coordenada pelo professor Antônio Cordeiro Feitosa, e conheci parte dessa região e isso fez com que eu escolhesse a localidade para desenvolver algumas pesquisas”, explicou a professora.
Rosalva de Jesus também afirmou que, no campo da Geografia, ela optou por abordar o extrativismo e a sustentabilidade ambiental, porque é importante cuidar bem do planeta.
“Porque o planeta é a nossa casa, é aqui que habitamos, então temos que cuidar bem deste planeta. E existe uma concepção de relação das pessoas com a natureza, que é de domínio, algo que está totalmente deturpado. O dia que as pessoas compreenderem que elas fazem parte do ambiente, elas não vão precisar ter essa concepção de que ele precisa ser dominado”, ressaltou.
“E a comunidade, assim como todas as comunidades tradicionais do nosso país, elas dão uma resposta mais positiva dessa relação mais harmônica com os elementos de origem natural do ambiente. Na verdade, essas comunidades tradicionais, que aí nós podemos citar várias como os seringueiros, os quilombolas, os ribeirinhos, os caiçaras, os sitiantes, entre outros, eles foram verdadeiros guardiões das principais paisagens do nosso país. Onde tem população tradicional, normalmente, os impactos negativos são menores, porque eles conseguiram retirar desse ambiente de origem natural o seu sustento, manter os seus modos de vida causando um menor impacto, então é esse tipo de relação que me atraiu ao arquipélago de Cururupu, que está na área de domínio dos manguezais amazônicos”, explica Rosalva de Jesus.
Mas a pesquisadora ressalta que encontrou problemas na localidade, pois alguns conflitos ocorrem na região e algumas técnicas utilizadas ainda são danosas. Nem tudo ocorre da forma como deveria ser, por exemplo, entre as técnicas há a tapagem de Igarapé, as angarias, o uso da malha fina, entre outros, o que acaba privilegiando algumas espécies em detrimento de outras. Rosalva considera que a sua pesquisa é importante, ao dar visibilidade para a comunidade e para os problemas existentes nela.
“As pesquisas, de um modo geral, elas servem para dar mais visibilidade à situação estudada. É mais uma pesquisa que está à disposição da sociedade, dos órgãos, daqueles que atuam. O estudo mostra como é que as relações se dão, é uma forma de dar visibilidade para a realidade local”, destaca.
Ela considera os incentivos da Fapema fundamentais para que pudesse realizar a pesquisa. Segundo Rosalva, apesar dos desmontes no governo federal, a Fapema manteve as suas linhas de pesquisa, os auxílios. E sua pesquisa só pôde ser feita por meio da submissão de alguns projetos aos editais da Fapema, um esforço que resultou em reconhecimento, por meio do prêmio da instituição.
“Esse prêmio foi importante em vários aspectos, no lado pessoal, pois coordenei uma pesquisa com muitas dificuldades, como o rajeto, enfrentando longas estradas, as maresias, as chuvas, os mangues, as dunas. E o aspecto que considero mais importante é a questão da representatividade. Eu ganhei um prêmio por desenvolver uma pesquisa em uma comunidade e, quando eu levantei aquele troféu no Teatro Arthur Azevedo, para mim eu estava levando os pescadores, suas famílias, suas lutas e dissabores, levando técnicos de diversas instituições, que fazem seu trabalho com qualidade, mas que são limitados por questões, muitas vezes políticas, levei a minha história”, ressaltou.
Sobre os desafios das mulheres na ciência, a professora aponta que eles são muitos.
Os maiores desafios estão em conciliar as atividades com as outras atribuições, que não deixaram de ser da mulher e que não são partilhadas pelos seus cônjuges, pelos seus companheiros. As mulheres foram, gradativamente, ocupando outros espaços para além da casa, com as mais diversas funções e empregos, mas elas continuam, ainda, cuidado da casa, dos filhos, do marido. Poucas situações já vimos mudando, então, nós aumentamos a nossa carga de trabalho, de atribuições, de responsabilidades. Se essas outras atribuições forem partilhadas, teremos mais possibilidades de produzir enquanto cientistas, porque capacidade nós já provamos que temos”, enfatizou a pesquisadora.
Maranhão tem mais de 8 mil mulheres cientistas
Thauana Oliveira Rabelo e Rosalva de Jesus dos Reis na cerimônia do Prêmio Fapema 2021.
Divulgação/Arquivo pessoal
E como disse Rosalva de Jesus, as mulheres já provaram que são capazes, uma demonstração disso é que, atualmente no Maranhão, 14.322 pesquisadores estão vinculadas à Fapema, por meio de projetos aprovados em editais e, desses, 8.083 são mulheres cientistas.
"A Fapema sempre tem incentivado e valorizado a maior participação de mulheres nas pesquisas do Maranhão. Atualmente, as mulheres cientistas têm se destacado cada vez mais em todas as áreas de conhecimento. Na Fundação, de 14.322 pesquisadores que estão vinculados à instituição, a maioria, 8.083 são mulheres cientistas, o que representa mais de 55% do total de pesquisadores", destaca o presidente da Fapema, André Santos.
As mulheres cientistas atuam em diversas áreas, sendo:
1.561 pesquisadoras da área de ciências humanas
1.456 de ciências da saúde
1.182 de ciências agrárias
1.089 de ciências sociais aplicadas
1.061 de ciências biológicas
1.048 de ciências exatas e da terra.
738 pesquisadoras das áreas de linguísticas, letras e artes
417 das áreas de engenharias
214 pesquisadoras de áreas multidisciplinares e outras
Ainda de acordo com o presidente da Fapema, o órgão contempla não somente pesquisadoras seniores, mas também pesquisadoras júniores, jovens pesquisadoras do ensino médio, para já criar a cultura da pesquisa científica no Maranhão.
“Incentivamos também projetos inovadores por entendermos que a ciência perpassa por todos esses campos e todos devem ser incentivados para produzirem por meio da divulgação científica, tecnológica e inovadora no Maranhão”, ressalta.
Em 2021, dos 25 vencedores do Prêmio Fapema, 15 foram mulheres. Além disso, a edição do prêmio foi intitulado 'Mulheres Cientistas do Maranhão', como forma de reconhecer o papel das mulheres, homenageando-as e as incentivando a seguir pesquisando.
No evento também foram homenageadas três pesquisadoras de destaque na produção científica do Estado:
Angélica Macêdo (IFMA), que é formada em Química pela Universidade do Ceará, possui mestrado em bioquímica pela mesma instituição e Doutorado em Biotecnologia pela Rede Nordeste de Biotecnologia/UFC.
Luciane Brito, que foi médica, e possuía mestrado e doutorado em Ginecologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de Pós Doutorado pela Universidade Federal de São Paulo.
Zafira de Almeida, que possuía graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Maranhão, Mestrado em Oceanografia pela Universidade Federal de Pernambuco e Doutorado em Zoologia pela Universidade Federal do Pará/Museu Emílio Goeldi. Zafira de Almeida morreu oito dias depois de receber a homenagem.
Em entrevista ao g1, o presidente da Fapema, André Santos, afirmou que outras ações serão feitas para beneficiar ainda mais as mulheres que atuam no campo da pesquisa científica no Maranhão.
“A Fapema também pretende realizar ações para pesquisadoras com licença-maternidade sinalizadas no currículo lattes. Este incentivo já terá validade no edital Universal deste ano. Estamos inclusive com parceria inédita com a Secretaria de Estado da Mulher para incentivar a produção científica por meio de artigos das mulheres maranhenses”, informou André Santos.