Prefeito que ouviu pedido de propina em ouro ainda aguarda verba solicitada ao MEC, diz advogado


Ao g1, advogado que representa o prefeito Gilberto Braga, de Luís Domingues, afirmou que a verba seria usada para a construção de creches no município. Verba foi solicitada em 2021 e até o momento, o dinheiro não foi repassado. Prefeito de Luís Domingues (MA), Gilberto Braga (dir.), fala a senadores sobre pedido de ouro por pastor em troca de verba no MEC
Reprodução/TV Senado
O advogado do prefeito de Luís Domingues (MA), Gilberto Braga, que recebeu pedido de propina em ouro de pastor ligado ao Ministério da Educação (MEC), disse ao g1, nesta quinta-feira (23), que o município ainda aguarda a liberação de recursos para a construção de duas creches.
Abdom Marinho explicou que os pedidos foram feitos em 2021 pelo Município de Luís Domingues para o Ministério da Educação e a liberação da verba ainda está em tramitação. Questionado, o advogado não soube datar exatamente quando foi feito o pedido.
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Luís Domingues, cidade localizada a 230 km de São Luís, é conhecida por abrigar garimpos ilegais. Parte da população vive da extração ilegal do ouro e a região também é conhecida pela produção de açaí.
Prefeito que ouviu de pastor pedido de propina em ouro diz temer pela própria vida
Segundo o IBGE, a estimativa de salário médio mensal dos trabalhadores formais em Luís Domingues era de cerca de 1,8 salários mínimos em 2019. Da população empregada formalmente naquele ano, apenas 6,1% trabalhava na própria cidade.
Pedido de propina
O prefeito do município de Luís Domingues (MA), Gilberto Braga, disse em um áudio divulgado pelo jornal "O Estado de S. Paulo" que um pastor pediu pagamentos – em dinheiro e em ouro – em troca da liberação de recursos para o município.
O pedido de propina relatado por Braga teria sido feito por Arilton Moura, um dos pastores que teriam interferência na distribuição de verbas da Educação, foi revelado pelo prefeito ao jornal "O Estado de S.Paulo".
FNDE: como funciona o órgão do MEC de onde sai a verba sob suspeita de ser negociada por pastores
Moura é também um dos citados pelo ministro da Educação, Milton Ribeiro, em um áudio, obtido pela "Folha de S.Paulo", sobre um pedido do presidente Jair Bolsonaro para favorecer as indicações de pastores para aplicação de verbas públicas.
O blog da Ana Flor conversou com o prefeito e o advogado dele que o representa, Abdom Marinho, também afirmou que o prefeito não fez qualquer depósito – e nem acreditou que o pastor Arilton Moura tivesse condições de encaminhar as demandas do município.
Ao g1, por meio de nota na época, o prefeito Gilberto Braga confirmou a veracidade das declarações e afirmou que não deu "qualquer crédito às supostas propostas do pastor".
Ex-ministro preso pela PF
Milton Ribeiro
JN
O ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, foi preso nessa quarta-feira (22) em uma operação da Polícia Federal (PF), em Santos (SP). Segundo o porteiro do prédio em que ele mora, o ex-ministro foi levado por volta das 7h.
A prisão de Ribeiro foi determinada pela Justiça por causa de um suposto envolvimento em um esquema para liberação de verbas do MEC.
Milton foi levado pela PF por volta das 7h do prédio onde mora em Santos
Nina Barbosa/g1 Santos
O ex-ministro é investigado por suspeita de corrupção passiva; prevaricação (quando um funcionário público 'retarda ou deixa de praticar, indevidamente, ato de ofício', ou se o pratica 'contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal'); advocacia administrativa (quando um servidor público defende interesses particulares junto ao órgão da administração pública onde exerce suas funções); e tráfico de influência.
A investigação envolve um áudio no qual Ribeiro dizia liberar verbas da pasta por indicação de dois pastores, Gilmar Santos e Arilton Moura, a pedido de Bolsonaro. Uma fonte da PF em São Paulo disse à TV Tribuna que Milton Ribeiro deve ser levado para Brasília.