Síndromes gripais em crianças provoca aumento na procura por serviços de saúde em São Luís


O número elevado de casos se reflete na grande procura pelos serviços pediátricos de saúde nas redes públicas e privadas da capital. Síndromes gripais em crianças provoca aumento na procura por serviços de saúde em São Luís
Neto Cordeiro/Grupo Mirante
Nos últimos meses houve o aumento de casos de síndromes gripais em crianças em São Luís. O número elevado de casos se reflete na grande procura pelos serviços de saúde nas redes públicas e privadas da capital.
No Hospital da Criança (HC), que faz parte da rede municipal de saúde de São Luís, 32% dos atendimentos realizados, entre os meses de janeiro e março de 2022, foram de crianças com sintomas de gripe.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Semus), o Hospital da Criança recebe tanto pacientes da capital quanto do interior do Estado e, além do aumento nos casos de síndromes gripais, a unidade de saúde também identificou um elevado atendimento de crianças com problemas no trato respiratório, como as pneumonias e bronquiolites.
Síndromes gripais em crianças provoca aumento na procura por serviços de saúde em São Luís
Neto Cordeiro/Grupo Mirante
Para suprir a alta demanda, no HC foram abertas duas enfermarias, com 27 leitos de internação, além disso, o hospital possui 15 leitos de suporte intensivo (UTI), para os atendimentos mais críticos.
“Entre as ações que visam a melhoria dos atendimentos, a Semus informa que tem aumentado o número de médicos e equipes nos plantões, disponibilizado mais respiradores mecânicos e monitores multiparamétricos para o hospital, além da adequação de alas para aumentar a capacidade de receber pacientes mais graves”, afirma a Secretaria Municipal de Saúde (Semus).
Ainda segundo a Semus, a média de permanência de internação de crianças com quadro de síndromes gripais ou doenças respiratórias, na unidade de saúde, é de 12 dias.
A microempresária Ana Lídia, de 42 anos, tem dois filhos pequenos, um de 8 e outro de 11 anos, e decidiu levar os dois no hospital, após eles apresentarem sintomas como tosse, febre e dores no corpo.
“O meu filho mais velho, de 11 anos, começou a apresentar sinais de gripe e principalmente muita tosse. Já está assim há quase uma semana. Hoje, o meu filho mais novo apresentou febre e dores no corpo, não sei o que pode ser, mas vou levá-los à UPA do Araçagi para tentar conseguir alguma orientação e sabe como medicar para que os sintomas passem logo, até porque durante esse período eles acabam perdendo aula na escola também”, relatou.
A rede estadual de saúde, também, foi procurada para dar informações sobre a demanda pediátrica nas unidades de urgência e emergência em São Luís, mas ainda não se manifestou sobre o caso.
Na rede de saúde privada de São Luís, a procura por atendimento pediátrico também é alta. O Hospital São Domingos, chegou a divulgar uma nota, nessa quarta (27), informando que, “devido a alta procura por atendimento no Serviço de Pediatria, motivada principalmente pelas viroses comuns do período de chuvoso, a taxa de ocupação do Pronto-Socorro, das Unidades de Internação e da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica estão elevadas”.
O hospital afirmou que estava tomando as medidas para que possa atender a demanda de acordo com a criticidade dos casos.
No UDI Hospital, também da rede particular de São Luís, foi registrado um aumento nos atendimentos de emergência pediátrica, chegando a 100% de ocupação.
“O dimensionamento do atendimento do hospital muda a cada dia, dependendo da demanda, porém o volume é alto. O UDI Hospital está há alguns dias com 100% de ocupação. Vale ressaltar que esta tendência de alta nos casos de doenças respiratórias infantis está sendo identificada em todo o Maranhão”, informou por meio de nota.
Doenças respiratórias em crianças são comuns no período chuvoso
Segundo a pneumologista pediátrica Denize Haidar, no período chuvoso, é comum as crianças serem acometidas de doenças de causas infecciosas, como as causadas por vírus, e os problemas alérgicos, sendo a asma o mais comum.
“O período chuvoso predispõe à proliferação de vários vírus que acometem o aparelho respiratório. A umidade elevada favorece a proliferação de fungos nos domicílios, propiciando a exacerbação das condições alérgicas em indivíduos predispostos”, explica a pneumologista.
Ainda de acordo com Denize Haidar, a pandemia e a suspensão do ensino presencial por longo período podem ter contribuído para a alteração da sazonalidade de alguns vírus. Além disso, a baixa cobertura vacinal tem feito aumentar a incidência de doenças virais já controladas, como é o caso do sarampo.
“Virus Sincicial Respiratório e Rinovírus, principais agentes causadores de bronquiolites em lactentes (neste ano, o início da ocorrência dos casos foi antecipada em 2 meses), Influenza vírus e outros vírus causadores de resfriados. A baixa cobertura vacinal tem sido determinante do retorno de certas doenças virais já controladas, como o sarampo. O empobrecimento das famílias leva à piora das condições de moradia e à insegurança alimentar, fatores que interferem na condição imunológica e na saúde respiratória”, desataca a pneumologista pediátrica.
Segundo Denize Haidar, é importante que os pais e responsáveis adotem medidas de para prevenir essas doenças. As orientações também servem para os próprios adultos, que podem ser acometidos por esses tipos de doença.
Veja as dicas de prevenção:
Doenças infecciosas
– medidas gerais: boa nutrição, calendário vacinal atualizado, condição de moradia adequada no aspecto sanitário, de ventilação e sem aglomeração de indivíduos;
– prevenção de contágio a partir do afastamento da criança de indivíduos sintomáticos respiratórios;
– higienização adequada das mãos e superfícies e orientação de etiqueta respiratória;
– em situações epidemiológicas ou ambientais específicas, uso de máscaras faciais.
Doenças alérgicas:
– medidas ambientais: ambientes arejados e livres de poluentes inaláveis; combate ao tabagismo passivo;
– minimizar exposição antigênica nos grandes centros urbanos e relacionados ao estilo de vida;
– estratégias medicamentosas.